A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aprovou no último dia 8 de setembro, terça-feira, um novo medicamento de uso oral voltado para a prevenção de enxaqueca episódica crônica, o Aquipta. O fármaco, conhecido também como atogepanto hidratado, será comercializado pela AbbVie Farmacêutica.
O registro amplia uma geração recente de tratamentos que atuam sobre o CGRP, molécula que participa dos mecanismos de dor da enxaqueca. O produto atua no bloqueio de uma via envolvida na transmissão da dor e, é indicado para adultos que têm pelo menos quatro episódios mensais da doença.
Estudos de desenvolvimento do medicamento demonstraram que ele reduz significativamente o número de dias mensais de enxaqueca em comparação ao placebo. A Anvisa autorizou duas apresentações do Aquipta: comprimidos de 10 mg e de 60 mg, em caixas com 28 unidades.
O que é a enxaqueca?
A enxaqueca é uma doença neurológica altamente incapacitante, caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça de intensidade moderada a grave. As dores, frequentemente, vêm acompanhadas de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som. Estima-se que cerca de 1,2 bilhão de pessoas no mundo são afetadas pela enxaqueca, aproximadamente 15% da população global.
No Brasil, entre 30 e 34 milhões de pessoas sofrem com a condição. Um levantamento do Radar da Enxaqueca apontou que 23 milhões de brasileiros possuem diagnóstico confirmado. A doença apresenta um impacto significativo na qualidade de vida, além de repercussões no trabalho, na vida social e no uso de serviços de saúde.
O Aquipta já é comercializado em países europeus e nos Estados Unidos. No entanto, apesar da aprovação, ainda não há previsão de sua chegada às farmácias brasileiras. Em nota, a AbbVie afirmou que o atogepanto ainda passará pela avaliação da Câmera de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
O que é o Atogepanto e como ele age no organismo?
O atogepanto é uma substância oral seletiva do receptor de peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, uma das principais responsáveis pela dor de cabeça. O medicamento atua bloqueando a ligação do CGRP (peptídeo) ao seu receptor, interferindo em um dos principais mecanismos envolvidos na origem da enxaqueca.
Os analgésicos comuns, como os utilizados para dor de cabeça, têm como objetivo principal aliviar os sintomas depois que a dor aparece. Já o Aquipta tem a proposta de atuar de forma preventiva. Enquanto um analgésico tradicional é geralmente utilizado quando a dor já começou, o Aquipta é utilizado regularmente para evitar as crises.
Essa abordagem representa uma evolução em relação a tratamentos preventivos mais antigos, que muitas vezes utilizavam medicamentos originalmente desenvolvidos para outras condições e posteriormente incorporados ao tratamento da enxaqueca. Uma das principais diferenças está justamente no objetivo do tratamento.
E apesar de existir opções terapêuticas para prevenção da enxaqueca, muitas delas não atuam especificamente nos mecanismos fisiopatológicos da doença. O Aquipta representa uma nova opção de tratamento oral para prevenção da enxaqueca episódica e crônica. Menos crises podem significar mais qualidade de vida.
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