Protagonismo Feminino: participação das mulheres na indústria farmacêutica avança

O cenário da mulher no mercado de trabalho hoje é bem melhor que há décadas atrás. Durante muito tempo, a atuação feminina esteve associada, principalmente, ao ambiente doméstico. Muitos cargos eram tidos como exclusivos para homens, limitados pelas barreiras sociais, culturais e econômicas.

A inserção da mulher no mercado de trabalho não se deu da noite para o dia. Foi em 1943 que os primeiros direitos trabalhistas foram concedidos às mulheres, na primeira versão da CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas. E assim, aos poucos, as mulheres passaram a ocupar novos espaços, conquistar autonomia e ampliar sua participação na economia.

Esse movimento contribuiu para transformar a estrutura do mercado de trabalho e abriu caminho para que mulheres chegassem a profissões, empresas e posições de liderança. E o crescimento dos números ajudam a dimensionar essa mudança na inserção da mulher no mercado de trabalho.

Segundo a pesquisa do IBGE, em 2024, a força de trabalho feminina representava cerca de 43% a 44%, uma faixa de 48,5 milhões de mulheres. A presença feminina deixou de ser uma participação secundaria e passou a representar uma parcela essencial da força produtiva do país.

Porém, um setor que vem se destacando dentro desse contexto de transformação é a indústria farmacêutica. Entre 2024 e 2025, a participação feminina em cargos de alta liderança cresceu 8%, enquanto os cargos gerenciais avançaram 9% e as posições de coordenação e supervisão, 4%.

De acordo com dados da 4ª edição da Pesquisa Presença e Liderança Feminina, apresentados durante o SheTalks, em 2026, pela Sindusfarma em parceria com a LeaderShe, as mulheres já representam 51% da força de trabalho da indústria farmacêutica brasileira.

A presença feminina se aproxima da paridade em diferentes níveis hierárquicos: elas ocupam 49% das posições de coordenação e supervisão, 45% das gerências e 44% dos cargos de diretoria, vice-presidência e presidência. Na posição de CEO, a participação feminina chega a 26%, resultado positivo em comparação a outros segmentos no país.

Esses números mostram que a indústria farmacêutica vem avançando em muitos aspectos. A distribuição por áreas reforça essa realidade. As mulheres lideram 75% das áreas de Recursos Humanos, 66% de Compliance, 60% do Jurídico e 55% das Unidades de Negócio. Finanças e Tecnologia, ambas com 22%, e Vendas com 20%.

O protagonismo feminino não deve ser analisado apenas pela quantidade de mulheres, mas pelas oportunidades de crescimento. Aproximadamente 49% das empresas possuem programas voltados à formação de lideranças femininas. E 73% das empresas oferecem benefícios adicionais como: programas de apoio a gestante, auxílio-babá e iniciativas para retorno da maternidade.

No entanto, a pesquisa reforça a necessidade de ampliar o debate sobre raça, etarismo, deficiência e outras barreiras que atravessam as trajetórias profissionais femininas. As mulheres negras, pretas e pardas, representam 27% do total de mulheres, mas apenas 13% estão em cargos de liderança.

Mulheres acima dos 50 anos correspondem a 11% do total feminino e 14% das lideranças, enquanto mulheres com deficiência representam 3% do total e apenas 1% das posições de liderança. Por isso, a questão não é apenas abrir as portas para que as mulheres entrem no mercado de trabalho, mas criar condições para que cresçam e ocupem espaços.

O protagonismo feminino na indústria farmacêutica é, assim, resultado de uma transformação que vem sendo construídas ao longo de gerações. E se antes a principal batalha era conquistar espaços no mercado de trabalho, hoje o desafio é consolidar a equidade e ampliar a presença das mulheres nos níveis mais altos de liderança.

Mulheres ocupando o mercado de trabalho contribuem para ampliar a diversidade de perspectivas, fortalecer a inovação e tornar o processo de decisão mais inclusiva e representativas. Portanto, o próximo passo é garantir que a presença feminina nas organizações continue sendo convertida em autonomia, reconhecimento, desenvolvimento profissional e poder de decisão.

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