Canetas emagrecedoras podem chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS)

As chamadas “canetas emagrecedoras” estão cada vez mais presentes nas discussões sobre o tratamento da obesidade no Brasil. E agora o assunto ganhou um novo capítulo: o Ministério da Saúde estuda como esses medicamentos poderão ser utilizados dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

A declaração foi feita na última quinta-feira (17/9), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante visita ao novo Complexo Industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG). A oferta deverá seguir um protocolo médico para definir os pacientes que terão acesso aos medicamentos.

A ideia é ampliar o acesso ao tratamento, mas não significa que as canetas serão distribuídas livremente para qualquer pessoa que queira perder peso. Segundo o Ministério, a incorporação deverá ser feita de forma responsável, com base em evidências científicas, critérios médicos e um protocolo clínico.

O modelo já está sendo testado em cerca de 250 pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças e indicação para cirurgia bariátrica, no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. Segundo Alexandre Padilha, ministro da saúde, o protocolo teste servirá de referência para ampliação da oferta dos medicamentos em todo país.

Por que o assunto é tão importante?

A obesidade é uma condição crônica associada a múltiplos problemas de saúde, como hipertensão, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Esses medicamentos modernos ajudam no controle metabólico e na perda de peso significativa de pacientes que não alcançam resultados apenas com a mudança no estilo de vida.

Outro ponto, é que uso desses medicamentos pode ajudar pacientes que estão na fila para cirurgia bariátrica, evitando procedimentos cirúrgico invasivos quando o controle clínico for suficiente. Além disso, o tratamento adequado da obesidade e suas comorbidades diminui internações hospitalares e gastos públicos com emergências cardíacas, AVCs e outras complicações metabólicas de longo prazo.

Outro aspecto importante dessa discussão é o aumento da oferta de medicamentos. Em 2026, a Anvisa registrou novos medicamentos à base de semaglutida no Brasil. A ampliação da concorrência e o fortalecimento da produção nacional fazem parte da estratégia do Ministério da Saúde para aumentar a oferta e contribuir para redução dos preços.

O Brasil conta com 14 produtos registrados para o tratamento da obesidade, e os preços encontrados nas farmácias caíram em relação aos valores praticados anteriormente. A oferta pública ampliaria o acesso para população de baixa renda que sofrem com o agravo da doença.

Mais que uma promessa de “caneta para emagrecer”, o que está em discussão é como oferecer uma nova ferramenta para o tratamento da obesidade dentro de uma política pública que seja segura, baseada em evidências e capaz de atender aos pacientes que realmente necessitam desse tipo de tratamento.

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