Chegou ao fim, na última sexta-feira, dia 20, a exclusividade da Novo Nordisk para produzir medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic, Rybelsus e Wegovy. E poucas notícias no varejo farmacêutico repercutiram tanto, e o Ministério da Saúde solicitou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prioridade na análise de novos registros.
A semaglutida é um medicamento que inicialmente foi criado para tratar diabetes tipo 2. Mas em estudos clínicos, o medicamento além de demonstrar melhorias expressivas nos exames de pacientes com a doença, alcançou em média perdas de 20% do peso corporal. A maior faixa alcançada por medicações já aprovadas.
A semaglutida imita um hormônio natural do corpo chamado GLP-1, que ajuda a controlar o açúcar no sangue e o apetite. Na prática, a medicação auxilia na diminuição da glicose no sangue, reduz o apetite e retarda o esvaziamento do estômago, aumentando a sensação de saciedade.
Mas o custo elevado tornou-se uma barreira ao consumo de agonistas de GLP-1. Porém, a situação deve mudar com o fim da patente e a entrada de outras versões no mercado. E com o fim da exclusividade da molécula, as farmacêuticas prometem entrar para valer na disputa desse mercado com genéricos ou similares.
Por isso, a expectativa é que com a concorrência os preços caiam, e obrigatoriamente o remédio torne-se 35% mais barato, por ser um medicamento genérico. Além disso, o acesso à medicação se ampliaria, inclusive com a perspectiva de inclusão no SUS para pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade.
A Anvisa realizou um levantamento, e atualmente, são oito processos em análise para medicações genéricas, sendo que sete de origem sintética e um de origem biológica. Ainda outros nove produtos aguardam o início da análise. O setor técnico da Anvisa tem até o final de abril para responder.
As farmacêuticas já estão na corrida pelos genéricos do Ozempic. Um dos primeiros laboratórios nacionais a investir na produção da semaglutida, foi a EMS. A companhia gastou mais de R$ 1 bilhão em sua planta de Hortolândia (SP) para produzir a molécula. A Cimed também promete levar a sua caneta emagrecedora assim que encerrada a exclusividade.
Outras farmacêuticas na disputa são: Hypera, Biocon, e a Nexus. O mercado de canetas emagrecedoras de controle metabólico vem movimentando por ano cerca de R$ 11 bilhões por ano. E com a chegada dos medicamentos genéricos, especialistas projetam que esse valor quase dobrará em 2026, atingindo aproximadamente R$ 20 bilhões.
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