Cresce o mercado de canetas emagrecedoras ilegais no país

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Cresce o mercado de canetas emagrecedoras ilegais no país

A obesidade afeta milhões de pessoas em todo mundo e tornou-se um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) a obesidade quase que triplicou nas últimas décadas. Estimativas de 2025 indica que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo.

Ainda dados de 2025 mostravam que 1 em cada 10 crianças e adolescentes, já vive com obesidade, superando globalmente o número de crianças desnutridas na mesma faixa etária. No Brasil, a doença aumentou 72% nos últimos treze anos, saindo de 11,8% para 20,3%. O problema vai muito além da estética.

A obesidade está relacionada ao aumento do risco de diversas doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e problemas articulares. De acordo com publicação recente da OMS, estima-se que a obesidade esteve associada a cerca de 3,7 milhões de mortes em 2024.

Diante desse cenário, o desenvolvimento de novos medicamentos para combater o agravamento do problema avançou nos últimos anos. As chamadas “canetas emagrecedoras” ganhou grande visibilidade nos últimos anos, impulsionado por excelentes resultados clínicos e a ampla divulgação nas redes sociais.

As canetas emagrecedoras são dispositivos pré-preenchidos com medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como semaglutina e tirzepatida, originalmente desenvolvidos para diabetes tipo 2. Esses medicamentos, quando usados com dieta e atividade física, se mostra eficaz no tratamento de obesidade.

No Brasil, o mercado dessas terapias movimentou cerca de R$ 18,4 bilhões, um crescimento de 41,6% entre 2024 e 2025. Em 2025, a importação dessas canetas cresceu 88% em relação ao ano anterior. Porém, com a crescente demanda pelo medicamento gerou um fenômeno preocupante: a circulação de produtos falsificados.

A Anvisa proibiu a importação, venda e uso de diversas canetas emagrecedoras sem registro, devido a comercialização irregular desses produtos no país. Dados da Receita Federal comprovam o aumento desse mercado clandestino, já que em 2024 foram aprendidas 2.500 canetas emagrecedoras e, em 2025, foram 30 mil unidades.

Em 2026, somente na primeira quinzena do ano, foram retiradas 189 caixas de circulação nas rodovias estaduais, evidenciando a continuidade e a intensidade da comercialização irregular. A fiscalização do transporte irregular foi reforçada por equipes do DOF (Departamento de Operações de Fronteiras) e do BPMRv (Batalhão de Polícia Militar Rodoviária).

Para o presidente do IDESF – Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteira, Luciano Stremel, as pesquisas têm identificado que se aprende apenas 5% de tudo que passa pela fronteira. Então este mercado de canetas emagrecedoras ilegais possivelmente movimenta R$ 600 milhões.

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) em parceria com o Datafolha mostrou que menos de 5% dos consumidores consideram o registro na Anvisa como critério da sua escolha. E 54% das pessoas são atraídas pela promessa de resultados rápidos, prática proibida pelas normas da agência.

Este comércio ilegal tornou-se um problema global. Esse mercado irregular não se limita ao Brasil: na Europa, autoridades como a Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA) no Reino Unido desmontaram fábricas ilegais e aprenderam grande quantidades de produtos falsificados.

Muitos consumidores acreditam estar adquirindo apenas versões contrabandeadas do original, mas a realidade é mais grave. Análises de produtos apreendidos revelam que, em vez do princípio ativo, as canetas podem conter substâncias desconhecidas, insulina, ou nenhumas substâncias ativas, além de contaminação por falta de condições sanitárias.

Por isso, a crescente demanda por canetas emagrecedoras irregulares evidência um risco sério à saúde pública. Produtos sem registro ou sem supervisão médica não garantem segurança, eficácia ou qualidade, e podem causar danos físicos, complicações médicas e até colocar a vida das pessoas em perigo.

Atualmente, as canetas emagrecedoras só podem ser comercializadas no país com prescrição médica e desde junho do ano passado a Anvisa passou a exigir a retenção das receitas de medicamentos agonistas de GLP-1 por farmácias e drogarias. A importação de medicamentos sem registro para fins comerciais é considerada crime grave.

Por isso, é essencial que tratamentos para obesidade ou perda de peso sejam sempre orientados por profissionais de saúde e adquiridos por vias legais e controladas pela agência reguladora. As autoridades de saúde alertam veemente para os consumidores não adquirirem esses produtos de fontes não autorizadas.

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