Mitos e verdades que todo farmacêutico deve saber para tirar dúvida dos clientes

Os medicamentos fazem parte do cotidiano de grande parte da população e desempenham um papel fundamental na prevenção, tratamento e controle de diversas doenças. Porém, é comum que o paciente saia do consultório médico com a receita do medicamento em mãos e algumas dúvidas.

Muitas dessas dúvidas são influenciadas por informações que vem de familiares, de amigos, redes sociais e até mesmo pela própria experiência. Além disso, pesquisas do setor indicam que cerca de 40% dos brasileiros declaram não saber como consumir o medicamento de forma totalmente adequada.

Como consequência, alguns mitos relacionados ao uso de medicamentos acabam sendo considerados verdadeiros, podendo levar a utilização inadequada ou à interrupção do tratamento, e até mesmo à automedicação. Nessas horas, o farmacêutico exerce um papel fundamental na orientação e na promoção do uso racional de medicamentos.

O profissional deve estar preparado para esclarecer dúvidas de maneira clara, segura e baseada em evidências científicas. A orientação farmacêutica contribui para que o paciente entenda a finalidade do medicamento, saiba como usá-lo corretamente e perceba em que momento procurar atendimento médico.

A seguir alguns mitos e verdades que todo farmacêutico precisa saber para esclarecer as dúvidas dos clientes quando chegam ao balcão:

1 “Se eu tiver me sentindo melhor, posso parar de tomar o medicamento?”

Mito. A melhora dos sintomas nem sempre significa que o problema de saúde foi completamente resolvido. Dependendo do medicamento e da doença tratada, interromper o tratamento antes do período recomendado pode prejudicar o resultado terapêutico.

2 “Medicamentos podem interagir com outros medicamentos”

Verdade. Alguns medicamentos podem alterar o efeito de outros quando utilizados simultaneamente. Também existem interações com alimentos, bebidas e suplementos. Por isso, é importante que o paciente informe ao farmacêutico todos os medicamentos e produtos que utiliza, inclusive aqueles adquiridos sem receita.

3 “Antibiótico cura gripe e resfriado.”

Mito. Gripe e a maioria dos resfriados são causados por vírus, enquanto os antibióticos são destinados ao tratamento de determinadas infecções bacterianas. Portanto, o uso de antibióticos sem indicação adequada não acelera a recuperação de uma infecção viral e pode contribuir para a resistência aos antimicrobianos.

4 “Não pode abrir cápsula de medicamento.”

Verdade. As cápsulas não deveriam ser abertas, pois a película que as envolve protege o estômago (permitindo que o princípio ativo seja liberado somente no intestino). Além disso, muitas vezes esta película promove a liberação graduada do medicamento durante várias horas, como os antibióticos e anti-inflamatórios.

5 “Tomar uma dose maior faz o medicamento agir mais rápido.”

Mito. Aumentar a dose por conta própria não significa que o medicamento produzirá o efeito desejado mais rapidamente. Pelo contrário, isso pode aumentar o risco de efeitos adversos e intoxicações. A dose deve ser utilizada exatamente conforme a orientação recebida.

6 “A melhor forma de tomar um comprimido é com água.”

Verdade. A absorção do medicamento pelo organismo depende da apresentação deste e do metabolismo do paciente. A regra mais segura é orientar o paciente a ingerir os medicamentos com água em temperatura ambiente, salvo indicação específica do prescritor ou da bula.

7 “Se o medicamento é vendido sem receita, não oferece riscos.”

Mito. Medicamentos que não exigem prescrição também podem causar efeitos adversos, interações medicamentosas e problemas quando utilizados de maneira inadequada. O fato de um medicamento ser isento de prescrição não significa que seu uso seja completamente livre de riscos.

8 “O farmacêutico pode esclarecer dúvidas sobre a utilização dos medicamentos.”

Verdade. A orientação sobre o uso correto dos medicamentos é uma das atividades importantes do farmacêutico. Esse profissional pode esclarecer dúvidas relacionadas à administração, conservação, possíveis interações, efeitos adversos e outras questões relacionadas à farmacoterapia.

Como podemos ver, o farmacêutico tem uma importante função na educação em saúde, principalmente, devido a grande quantidade de informações disponíveis hoje em dia. Mais que simplesmente entregar um medicamento, o profissional deve contribuir para que o paciente compreenda o tratamento e faça o uso de forma racional e segura.

Ao identificar um mito ou uma informação incorreta, o farmacêutico deve evitar julgamentos e explicar o assunto de maneira acessível. Se você gerencia uma farmácia ou trabalha no varejo farmacêutico, sanar essas dúvidas de forma clara e empática é uma das melhores maneiras de conquistar a confiança e fidelizar os clientes.

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