Com a chegada do inverno e o frio extremo, aumenta a circulação dos vírus respiratórios. Isso ocorre por três fatores: o clima frio faz com que as pessoas passem mais tempo aglomeradas em ambientes fechados. A combinação de temperaturas baixas e o ar seco resseca as mucosas do nariz e da garganta, reduzindo as defesas naturais do corpo. E certos vírus sobrevivem por mais tempo em superfícies frias e secas.
A soma desses fatores torna ainda mais fácil a disseminação dos vírus e com isso cresce também a procura por atendimento médico com os sintomas típicos das infecções respiratórias. Já outras pessoas recorrem a automedicação ou pressionam os profissionais de saúde à procura de medicamentos que acelerem a recuperação.
Situações como a automedicação, a interrupção precoce do tratamento, a prescrição desnecessária e o uso indiscriminado de medicamentos favorecem a seleção de bactérias resistentes. Em um relatório sobre riscos globais, o Fórum Econômico Mundial chegou a conclusão de que “possivelmente o maior risco à saúde humana se insere na forma das bactérias resistentes aos antibióticos.
A resistência bacteriana é um dos maiores desafios da saúde pública no século XXI. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a resistência antimicrobiana está entre as principais ameaças à saúde pública global. Esse fenômeno ocorre quando as bactérias desenvolvem mecanismos que as tornam capazes de sobreviver à ação dos antibióticos, reduzindo ou eliminando a eficácia desses medicamentos.
O problema surge principalmente pelo uso inadequado e excessivo de antibióticos. Como consequência, infecções que antes eram facilmente tratadas tornam-se mais difíceis de controlar, aumentando o risco de complicações, internações prolongadas e mortes. A resistência aumentou em mais de 40% das combinações bactéria-antibiótico monitoradas, com crescimento anual médio entre 5% e 15%.
Caso a resistência continue avançando, procedimentos médicos rotineiros poderão tornar-se muito mais perigosos, comprometendo conquistas importantes da medicina moderna. Para enfrentar esse problema, a OMS propôs em 2026 uma abordagem integrada conhecida como “Uma Só Saúde”, reconhecendo a relação entre saúde humana, animal e ambiental.
O que a Organização Mundial da Saúde recomenda
1 Uso racional de antibióticos: utilizar antibióticos apenas quando prescritos por profissionais de saúde e seguir corretamente as orientações de tratamento.
2 Prevenção de infecções: fortalecer medidas de higiene, vacinação, saneamento básico e controle de infecções nos serviços de saúde.
3 Vigilância da resistência bacteriana: ampliar sistemas de monitoramento para identificar e acompanhar padrões de resistência.
4 Programa de gestão de antimicrobianos: promover o uso adequado dos antibióticos em hospitais e clínicas.
5 Investimento em pesquisa e inovação: desenvolver novos antibióticos, métodos diagnósticos rápidos e vacinas.
6 Educação da população e dos profissionais de saúde: conscientizar sobre os riscos do uso inadequado desses medicamentos.
A resistência bacteriana é uma ameaça crescente que compromete a eficácia dos antibióticos e coloca em risco milhões de vidas em todo o mundo. O aumento contínuo de bactérias resistentes demonstra a necessidade urgente de ações coordenadas entre governos, profissionais de saúde e população.
Seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde, promover o uso consciente dos antibióticos e investir em prevenção e inovação são medidas fundamentais para evitar que infecções comuns voltem a representar graves riscos à saúde humana. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) reforça que ao aparecer os sintomas respiratórios buscar avaliação médica e, destaca a importância da vacinação como prevenção.
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